sábado, 12 de abril de 2014

S. GI BAIXO - PROCEDIMENTOS RADIOGRÁFICOS

Trânsito de Delgado
 

A radiografia simples abdominal mostrada na Fig. 15.19 pertence a um adulto hígido em atendimento ambulatorial. Os vários metros do intestino delgado não são geralmente vistos na porção central do abdome. Na média dos pacientes
adultos de ambulatório, uma grande quantidade de gás no intestino delgado é considerada anormal. A ausência de gás no intestino delgado simplesmente representa a superposição com outras estruturas de tecidos moles. Por isso, o exame radiográfico do canal alimentar necessita de introdução de contraste para sua visualização.


Definição

Um estudo radiográfico específico do intestino delgado é denominado seriografia do intestino delgado. As seriografias de esôfago-estômago-duodeno (SEED) e do intestino delgado são freqüentemente com- . binadas. Nessas condições, a porção do intestino delgado envolvida no exame pode ser chamada de trânsito de delgado. Necessita-se de contraste radiopaco para esse estudo.
 

Objetivo 

O objetivo de trânsito de delgado é estudar a forma e a função dos três
componentes desse intestino, assim como detectar quaisquer condições
anormais.
Como esse estudo também examina a função do intestino delgado, o
procedimento precisa ser cronometrado. Deve-se começar a contar o
tempo a partir do momento em que o paciente ingeriu uma dose substancial
(pelo menos 3/4 de xícara) de contraste radiográfico.


Contra-indicações 


Existem duas contra-indicações absolutas à realização de estudos contrastados
do trato intestinal.
Primeira, pacientes pré-cirúrgicos e suspeitos de apresentar perfuração de
víscera oca não devem receber sulfato de bário. Em vez disso, deve-se
administrar contraste iodado hidrossolúvel. Em pacientes jovens e desidratados,
é preciso cuidado com o uso de contrastes hidrossolúveis. Devido à
natureza hipertônica desses contrastes, eles tendem a "puxar" água para o
intestino, levando a agravamento da desidratação.
Segunda, o sulfato de bário via oral é contra-indicado para pacientes com
uma possível obstrução de intestino grosso. Deve-se primeiro descartar a
possibilidade de obstrução de intestino grosso realizando uma rotina de
abdome agudo e um enema baritado.


Indicações clínicas 


As indicações clínicas mais comuns para o trânsito de delgado incluem
as seguintes:
Enterite é um termo que descreve a inflamação do intestino, principalmente
o intestino delgado. As enterites podem ser causadas por bactérias,
protozoários ou outros fatores ambientais. Quando o estômago também é
envolvido, a condição é designada gastroenterite. Devido à irritação crônica,
a luz do intestino pode se tornar espessada, irregular e estreitada.
A enterite regional (enterite segmentar ou doença de Crohn) é uma doença
inflamatória crônica de etiologia desconhecida que envolve qualquer porção
do trato GI, mas que comumente acomete o íleo terminal, com fibrose e
espessamento da parede intestinal. Essa cicatrização produz o aspecto de
"pedra de calçada", visível durante um trânsito de delgado ou enteróclise.
Ao exame radiográfico, essas lesões se parecem com ulcerações ou erosões
gástricas, vistas em estudos baritados como variações menores da camada
de bário. Em casos avançados, segmentos do intestino tornam-se estreitados
devido ao espasmo crônico, produzindo o "sinal do barbante", evidente
durante um trânsito de delgado ou enteróclise. A enterite regional conduz
freqüentemente a um processo de obstrução intestinal e formação de fístula
e abscesso, e apresenta alta taxa de recorrência pós-tratamento.



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